sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A viagem

É importante dizer, antes de tudo, que o momento pré-viagem no Brasil foi bastante especial. Pude me reunir com grandes amigos de Campinas, grandes amigos de Teresina, e com quase toda a minha família. Pude olhar no olho de cada um e enxergar de verdade os votos de boa sorte na nova vida. Pude comer muita carne, pra já chegar aqui com uma reserva energética razoável.

Despedida sempre é um momento triste, mas essa em especial me deixou mais confiante, porque me fez perceber o grande porto-seguro que eu tenho.

Na saída de São Paulo, pude contar com a presença de grandes amigos solidários que ficaram por lá comigo até a hora de eu embarcar (José Afonso, Evaldo Cavalcante, Gisele Freitas, e Edmundo Bello – que só não esteve presente pela falta de espaço no carro). Não posso deixar de agradecer a vocês pelo grande companherismo e amizade que vocês demonstraram. Meu muito obrigado de verdade!




A viagem foi relativamente tranqüila. As aeromoças e os aeromoços insistiam em ficar falando alemão, mesmo sabendo que ninguém tava entendendo nada. E, de quando em vez, a duras penas, falavam inglês  Não é possível que um vôo que saia do Brasil não conte com aeromoças que saibam se comunicar com um mínimo de português. <Mamãe e Papai, é bom que vocês tirem um tempinho pra estudar uma língua, porque senão a comunicação vai ficar meio complicada quando vocês vierem.. heheh>. Mas enfim! Foi o meu primeiro vôo internacional. O avião é extraordinariamente grande, com 10 cadeiras por fila, e umas 60 filas, no mínimo. Como não estava na primeira classe, as cadeiras eram bem apertadas, e não muito confortáveis pra agüentar as longas 12 horas de viagem. Não sei se é porque estávamos bem no final do avião, mas ele balançava muito! Muito mesmo! Muito diferente do que tinham me dito sobre esses vôos internacionais. Não tenho muito a dizer do vôo. A comida era ruim, mas dava pra comer. Enfim, voilá!

Chegamos em Frankfurt. O aeroporto é enorme, e é uma sensação um pouco estranha não entender nada do que tava escrito nos avisos ou sendo dito no microfone. Meu 1,5 ano de alemão não me ajudou muito naquela hora.  Porém, era inadmissível sair da Alemanha sem pelo menos dar uma palavrinha em alemão. Dentro do avião que seguiria até Paris, quando o cara da comida estava passando, eu pensei cá comigo: essa é a hora. Tava morrendo de vontade de beber um suco de laranja, mas quem disse que eu lembrava como dizer suco de laranja em alemão? O jeito foi pedir a água mesmo,  pois era a única palavra que me vinha à mente naquele momento: Wasser, bitte!



Chegamos em Paris. A mala de 2 dos nossos amigos extraviaram. Ficaram em Frankfurt, provavelmente. Fizemos uma viagenzinha dentro de Paris até chegar na estação que nos levaria à Vichy. Lá na estação, a voz da mulher avisando sobre os trens é exatamente a mesma que eu ouvia nas lições do livro de francês no Brasil. Muito engraçado isso!

Chegamos em Vichy. Pra falar um pouco dessa cidade vou fazer uma nova postagem.

Até mais!

O Blog

Eu hesistei bastante antes de começar a escrever esse blog por uma série de motivos. O mais forte dele foi porque eu não sabia exatamente se iria ter o comprometimento/tempo necessário para ficar atualizando. Pra ser bem sincero, eu ainda não sei. Mas a idéia de fazer um blog me soa bastante simpática. Primeiro porque será uma oportunidade de registrar momentos pelos quais eu passei e que talvez, no futuro, não estejam mais vivos na memória. Acho que vai ser legal parar depois pra ler o que eu escrevi aqui. Segundo porque é uma boa oportunidade de se reportar para a família e para os amigos que estejam interessados em saber o que anda acontecendo por aqui. E terceiro porque será também importante para incentivar os próximos estudantes que tentarão esse intercâmbio. Quando eu ainda não tinha conseguido, gostava de ler alguns blogs da galera que já estava na França. Além de um incentivo, tira muitas dúvidas acerca do que a pessoa vai encontrar quando chegar aqui.

Infelizmente, tou começando a publicar aqui com um certo atraso e acho que toda essa demora foi prejudicial para os registros que farei. Eu digo prejudicial porque, nesse tempo que eu estive aqui em Vichy, aconteceram muitas coisas legais, engraçadas, que valiam muito a pena terem sido reportadas no momento em que aconteceram. E o fato de eu não ter criado textos na época em que aconteceram me fizeram perder a riqueza dos detalhes e um pouco da emoção que eu teria escrevendo. A sorte é que na primeira semana eu ainda sentei pra escrever um pouco <mesmo sem publicar> e que vai dar pra postar aqui também.

Outro prejuízo da demora é que, apesar de eu ainda estar no começo da minha longa/rápida jornada aqui na França, o começo do começo é talvez o mais interessante. Isso porque, pelo menos pra mim, marinheiro de primeira viagem, o começo do começo é o momento das descobertas. Tudo é novo, tudo é engraçado e, por mais que tenha ouvido falar muito da nova cultura, nada se compara ao sentimento de quem vê e vivencia. Do começo do começo até o momento em que escrevo (1 mês e meio depois da chegada), eu já mudei a minha opinião sobre muitas coisas, já estou mais adaptado, e o que era novo e engraçado no começo, à essa altura, não é mais. Já encaro <quase> tudo com mais naturalidade.

Mas nada de tristeza! Outras descobertas virão e é com um espírito aventureiro e em busca de conhecimento que eu vou encarar cada dia dessa nova jornada.

Bom, dito isso, acho que já dá pra começar a relatar as primeiras experiências da chegada até aqui.